quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Influências emocionais no câncer de mama






Ao longo da vida, somos permanentemente submetidos às exigências e apelos vindos de diversas instâncias:
Internos: como os instintos, os processos biológicos e os processos inconscientes;
Da realidade em que vivemos: ambiente e condições sociais;
Das pessoas que nos cercam: família, amigos, colegas de trabalho e a sociedade em geral.

Para lidar com essas exigências e necessidades, e com muitas outras surgidas no percurso da vida, o ser humano busca fazer uso dos seus melhores recursos possíveis – recursos internos e recursos externos.

A eficiência no atendimento à essas exigências e apelos depende muito da história de vida do indivíduo, dos seus recursos hereditários e genéticos, das suas experiências da infância, das suas condições materiais, das suas experiências afetivas e socioculturais, como também do contexto ao qual ele está inserido.

Uma pessoa bem estruturada no seu funcionamento psíquico, que consegue elaborar as exigências e apelos, processando-as adequadamente na esfera psíquica, consegue manter uma vida de melhor qualidade e de forma mais saudável.

Já outra, que não tenha os mesmos recursos internos, e que não consiga elaborar na esfera psíquica essas mesmas exigências e apelos, pode vir a desorganizar-se na sua estrutura bio-psico-social e vir a sofrer adoecimentos.

Nesse contexto, qualquer sintoma, mental ou fisiológico, poderá ser uma manifestação do indivíduo, denunciando a quebra do seu equilíbrio e integridade homeostática.

A partir dessa constatação, a psicossomática, que é a ciência que estuda a inter-relação entre corpo e mente, procura levar compreensão das manifestações e sintomas no corpo como uma das formas possíveis de expressão do sofrimento do indivíduo.

Apesar de ser uma forma primitiva e imatura de lidar com os sofrimentos psíquicos, toda doença é, antes de tudo, uma tentativa do organismo em buscar o equilíbrio, fazendo uso dos sintomas como forma de alertar para mudanças e providências que o indivíduo precisa promover na sua vida.

A manifestação dos sintomas é um sinal de que algo não vai bem e que houve uma quebra nos limites suportados pelo indivíduo.

Da mesma forma que só quem sofre a dor sabe falar sobre ela, também, dos sofrimentos psíquicos e da sua relação com sintomas fisiológicos, só quem pode conhecer as verdadeiras causas é o dono do sofrimento.

A oportunidade de crescimento diante de uma doença não está na interpretação dos seus sintomas, e sim, na busca dos próprios sentimentos que serviram de caminho para a construção da doença, para que, dessa forma, possa também encontrar os caminhos da cura. 
Não apenas o caminho da cura dos sintomas, mas o caminho da cura dos sentimentos que levaram aos sintomas.

Fazer essa busca implica em mergulhar dentro de si mesmo e de procurar colocar luz sobre as sombras que carregamos pela vida a fora. Quem melhor fala sobre as sombras que tantos sofrimentos provocam  é o psiquiatra suíço Carl Jung, quando diz que a sombra consiste em tudo aquilo que não percebemos , não aceitamos e que gostaríamos de não ver.

Portanto, o processo de colocar luz sobre as nossas sombras é sobretudo, um processo de autoconhecimento, principalmente na busca de compreensão daqueles sentimentos  mais profundos e mais bem guardados.

A doença, muitas vezes, é o refúgio de uma realidade insuportável.

A doença não revela apenas a existência de uma realidade insuportável , mas também a necessidade de se construir mudanças.

Toda doença, manifestada pelos seus sintomas fisiológicos e somáticos, antes, fora um sofrimento psíquico, que, não buscado o seu sofrimento e elaboração, busca o corpo como local de expressão, como se fossem sinais de alerta para que o indivíduo olhe para dentro de si e reconheça as suas exigências e necessidades.

Os Distúrbios emocionais desempenham papel importante, precipitando o início, arecorrência ou agravamento de sintomas

O Câncer, por exemplo, surge como uma indicação de problemas em outras
áreas da vida da pessoa, não exatamente nos órgãos afetados, agravados ou compostos por exposições à situações de estresses.

O surgimento de um câncer sugere a exposição do indivíduo à situações e sentimentos de: Mágoa profunda, ressentimentos persistentes, tristezas mantidas por muito tempo, ódio e rancor.

Raiva, melancolia, tristeza e todo sentimento reprimido, também são vistos como possíveis causas psicossomáticas do câncer.

Células cancerígenas diferenciam-se das células saudáveis por seu crescimento desordenado e caótico.

O câncer ameaça a existência da pessoa, não apenas ao órgão afetado.

Segundo estudos comportamentais, a típica personalidade cancerígena é considerada modelar. É uma pessoa não agressiva, quieta e paciente, atua de maneira equilibrada, simpática e não egoísta ãlém disso é desinteressada e solícita, pontual e metódica.

Também segundo estudos, o surgimento do câncer de mama tem relação com conflitos de separação: morte, divórcio, separação de filhos ou parentes, etc.

A desesperança, a insatisfação e a infelicidade também são vistos como possíveis causas para o surgimento do câncer de mama.

Pesquisa sobre fatores emocionais como causas do câncer de mama indica que: Tristeza, depressão e mágoas correspondem a (54%); Estresse corresponde a (48%) e Rancor, ressentimento e angústia correspondem a (43%).

O estresse é um fator de grande importância, tanto pela sua influência no surgimento do câncer, como também sendo fator agravante no processo cancerígeno.

O estresse pode surgir de qualquer estímulo capaz de provocar o aparecimento de um conjunto de respostas do organismo, que seja, respostas mentais, psicológicas, comportamentais ou orgânicas, relacionadas com mudanças, no sentido de buscar a adaptação do indivíduo à situações novas ou ameaçadoras.

A exposição prolongada ao estresse faz com que o organismo produza elevadas taxas de substâncias que podem ser maléficas para o organismo. Por isso, buscar formas de controlar o estresse é um mecanismo eficiente na prevenção primária do câncer.

Acredita-se que o estresse favorece a progressão do câncer através do abatimento das defesas orgânicas. O cortisol, produzido pela exposição prolongada ao estresse,  interage como agente imunológico negativo.

A mudança interna é o fator mais importante. Se não houver vontade pessoal de solucionar os maus hábitos psíquicos e os problemas emocionais, se não encontramos razões para viver, não haverá uma cura permanente.

Estados depressivos e depressão profunda também são quadros que podem surgir num quadro cancerígeno.

Os sintomas da depressão são: desânimo; estado de tristeza durante a maior parte do dia; 
perda do interesse e incapacidade de sentir prazer para realizar atividades; perda ou aumento importante de apetite e de peso; alterações de sono; fadiga ou perda de energia; lentidão ou agitação; dificuldades de raciocínio, concentração e memória; isolamento; sentimentos de culpa e de incapacidade; baixa autoestima e idéia de morte.

Altas cargas de estresse e depressão podem fazer com que o câncer de mama sofra metástase e chegue até os ossos, sugere um novo estudo feito em camundongos pelo Centro de Biologia Óssea da Universidade Vanderbilt, nos EUA.

O estresse produz algumas modificações na estrutura e na composição química do corpo, o que, consequentemente, provoca uma desorganização nas células, contribuindo par o surgimento do câncer.

Médicos oncologistas, ao tratarem de casos de doentes com Câncer,  observam que a vontade de viver influencia na espectativa de vida de seus pacientes.

Ao mesmo tempo, é observado que as pessoas agraivam o quadro cancerígeno, quando surge o sentimento de falta de esperança, desespero, desistindo de lutar por uma vida melhor.

Acredita-se que essa reação emocional dispara um conjunto de reações fisiológicas que suprimem as defesas naturais do corpo, tornando-o suscetível à produção de células anormais, devido a um desequilíbrio profundo mental, hormonal, orgânico e psicológico.

Descobertas recentes sugerem que efeitos do estresse emocional podem deprimir o sistema imunológico, abalando as defesas naturais contra o Câncer e contra outras enfermidades.

O Estresse também varia de pessoa para pessoa. Cada um vai agir de uma forma diferente diante das situações.

Cada pessoa enxerga a situação não como ela é, mas como a pessoa enxerga o mundo.

A personalidade individual é também um forte diferenciador entre as pessoas
que tem maior ou menor probabilidade de desenvolver doenças.

A maneraiva como reagimos às tensões diárias origina-se de hábitos e é ditada pelas nossas convicções íntimas sobre quem somos, quem deveríamos ser e a maneraiva como o mundo e as outras pessoas deveriam ser.

Existem indícios de que diferentes tomadas de posição em relação à vida, em geral, podem estar associadas com certas doenças, inclusive com o cancer.

Uma mudança na forma de encarar a vida e os problemas é um passo fundamental, tanto para a qualidade de vida quanto para a prevenção e o enfrentamento de doenças.

A diversão e descontração torna-se cada vez mais importante no combate ao
estresse puramente mental, físico e psicológico.

Assim como a célula do câncer faz algo de si mesma, os pacientes devem fazer algo de suas vidas. E é preciso que seja algo próprio

Todos os pacientes que viraram a página, contam que suas vidas mudaram radicalmente através da doença.

Uma pesquisa sobre as  Percepções sobre o Cãncer de Mama aponta que 56% das mulheres que se curaram da doença se consideram vencedoras e 17% delas acham que “estão mais fortes para lidar com novas situações”.

A mudança interna é o fator mais importante. Se não houver vontade pessoal de solucionar os maus hábitos psíquicos e os problemas emocionais, se não encontramos razões para viver, não haverá uma cura permanente.

Para a psico-oncologia, ramo da psicologia que estuda os fatores psicológicos envolvidos no tratamento do câncer, O paciente é a peça fundamental no processo de cura. Se você não reage ao câncer, se não acredita na própria melhora, o seu organismo também não reagirá.


Algumas perguntas são importantes para determinar a qualidade da nossa vida e para afastar doenças que têm relação com o estresse:

Vivo minha vida ou deixo que ela seja determinada pelo exterior? Por outras pessoas e por exigências fora de mim ?

Eu assumo todo tipo de compromisso para não dizer um nao? Para não desagradar as pessoas ? e as minhas vontades, os meus desejos, como ficam ?

Deixo espaço para minhas iniciativas ou sempre atendo as regras e determinações preestabelecidas?

Eu me permito expressar as agressões ou guardo tudo para mim mesmo e comigo mesmo?

Que papel desempenham as transformações em minha vida?

Tenho a coragem de estender-me em novos campos? Ou vivo limitado ?

Sou criativo? Tenho sonhos ? e o que faço com eles ?

Que papel desempenham em minha vida as duas perguntas fundamentais:

De onde venho? Para onde vou?

Que sentido tenho buscado  para a minha vida ?

Qual o meu propósito de vida ?


Como está o meu autoconhecimento ?

Tenho olhado para dentro de mim ? para me conhecer melhor ?


As células têm um tempo de vida. Já nascem programada para morrerem e dar espaço para outras. Quando esse processo falha e a célula se recusa morrer, acontece a desorganização do organismo, com a multiplicação desordenada das células.

Na nossa vida, como estamos lidando com os processos naturais da vida ?

Como lidamos com as perdas ?

Como lidamos com as mudanças ?


Muita vezes, cuidamos tanto do corpo, basta uma tosse ou uma dor de cabeça e já estamos correndo para o médico, mas, não cuidamos dos nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Esquecemos que para existir um corpo saudável é necessário também a existência de uma mente saudável.


Algumas palavras são importantes para um viver de forma mais saudável.

Flexibilidade

Proatividade

Resiliência

Tranqüilidade diante dos problemas

Leveza diante da vida



Devemos ser flexíveis diante da vida:

Acreditar na vida, deixar a vida seguir o seu curso natural, acreditar nas pessoas,mesmo que tenha sido decepcionado, mas, sempre haverá outras histórias, outras oportunidades, tudo depende de voce.


Deixar a vida nos levar pode nos levar para qualquer lugar, mas também devemos ter a consciência de que não temos controle sobre a vida e sobre as situações, e que, o mais importante sempre, é sabermos que fizemos o nosso melhor, diante de qualquer que seja a situação e de qual tenha sido os resultados alcançados.


Gilson Tavares
Psicanalista Clínico


Influências das emoções relacionadas com o câncer de mama - Momento de análise 25.10.12

momentodeanalise.blogspot.com.br - Toda doença, manifestada pelos seus sintomas fisiológicos e somáticos, antes, fora um sofrimento psíquico, que, não buscado o seu sofrimento e elaboração, busca o corpo como local de expressão, como se fossem sinais de alerta para que o indivíduo olhe para dentro de si e reconheça as suas exigências e necessidades.


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