quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Luto, a dor da vida que continua


O luto é a dor da perda.

O luto, como processo, é o sentimento surgido diante de qualquer perda: da perda de um ente-querido; da perda de um emprego; da perda de um objeto; de um projeto fracassado; de um relacionamento terminado; de um sonho que não se tornou realidade.

O luto sempre traz consigo sentimentos de negação,tristeza, raiva, revolta, culpa, arrependimento, vazio e saudade.

Negação, por não aceitar que a perda aconteceu;

Tristeza pela falta do que foi perdido;

Raiva por ter perdido;

Revolta, por ter sofrido a perda;

Culpa, por pensar no que poderia ter feito para não ter perdido;

Arrependimento por não ter agido diferente quando teve oportunidade;

Vazio, pelo espaço deixado pelo que se foi;

Saudade, pela falta do que se foi.

O luto pode também ser sentido fisicamente: como uma dor ou peso no peito, a exaustão ou cansaço excessivo; a ansiedade; dificuldade para dormir; perda do apetite.

O luto pela perda de alguém querido é como uma ferida: sangra no início, dói, e, com o tempo, vai fechando. Mesmo que seja um processo lento e doloroso.

A dor do luto é único para cada pessoa. Cada um sente e expressa de uma forma diferente. A forma utilizada para expressar a dor do luto é a maneira que cada um utiliza para encontra o alívio para a dor.

Parar a vida por causa do sofrimento é que é um caminho perigoso, que pode até afetar a saúde e a sobrevivência da pessoa enlutada. Podendo causar um isolamento da pessoa do meio familiar, social ou profissional.

A perda de um ente-querido é como perder parte do próprio corpo.

O tempo passa, a dor se transforma em saudade, mas sempre fica o sentimento de que esta faltando algo na vida.

Existe algumas etapas que a pessoa precisa processar para elaborar o sentimento de luto:

Choque. A pessoa não acredita que a perda aconteceu;

Negação. A pessoa não aceita que aconteceu a perda; procura se apegar a coisas e fatos que mantém a pessoa que se foi presente; pensa em situações que a pessoa que se foi poderia está presente; até começar a aceitar a realidade da perda.

Sofrimento pela perda. Quando surgem os sentimentos de culpa, momentos de depressão, ansiedade, solidão, podendo apresentar os sintomas físicos, afasta-se das pessoas e deixa de cumprir a sua rotina normal.

Aceitação. Começa a perceber que a vida continua; começa a se ajustar á realidade da perda e a sua vida com a realidade da perda; descobre novos horizontes na sua vida; começa a desenvolver atitudes positivas e construtivas.

No enfrentamento do sentimento do luto é essencial manter a vontade de viver.

É natural o sentimento de que a vida não tem mais nenhum sentido quando se perde uma pessoa muito próxima. Mas, é necessário se perceber que, o sentimento de perda de sentido da vida, pode ser superado exatamente se procurando colocar mais sentido na vida, e que, se a vida vai durar muito ou pouco, não é a sua duração que fará a diferença, e sim, o que se fará com o tempo de vida que resta.

Com o passar do tempo e com a reorganização da vida, reconstruindo a vida procurando preencher o o espaço deixado pela pessoa que se foi, aos poucos, a dor da perda vai se transformando em saudade.

A perda de alguém próximo é uma experiência de humildade, quando aprendemos a dominar a arrogância, entendendo que não temos nenhum controle sobre a vida.

Quando existe a dificuldade na retomada da vida, após a vivência do processo do luto, se faz necessário a procura de um profissional que ajude a pessoa a aceitar a perda, aceitar a realidade da morte e a reconstruir novos valores para a sua vida.

Na superação do sentimento de luto, é necessário se trabalhar a conscientização de que as coisas nunca mais voltarão ao normal, pelo menos, não da mesma forma como era antes. É necessário que a pessoa se acostume com a ausência do que partiu.

Por que o título  "luto, a dor da vida que continua" ?

Porque, na verdade, a dor do luto não é pela pessoa que partiu, e sim pela pessoa que ficou.
O sentimento do luto é a dor de ter que continuar vivendo sem a presença da pessoa que se foi.

Portanto, o luto não é um sentimento do que se vai, e sim, o sentimento do que fica, justificando o título “luto: a dor da vida que continua”. Porque, mesmo com a falta do que se foi, a vida sempre continua.

E, como o luto é  a dor da vida que continua, podemos pensar nesse sentimento não como um sentimento de morte, mas como um sentimento de vida.

Podemos perceber que a dor da perda de uma pessoa próxima é tão mais forte quanto menos fizemos para que a pessoa que se foi tivesse uma vida mais agradável e satisfatória.

Depois que a pessoa se vai, pensar no que poderia ter feito diferente: além de impossível, pois a morte é definitiva e não tem segunda chance, é também um fator que potencializa o sofrimento.

Dessa forma, devemos sempre ter a certeza de que não sabemos quanto tempo teremos ao nosso lado as pessoas a quem amamos, e devemos procurar viver esse tempo o melhor possível, fazendo o melhor possível pelos que amamos.

Quando perdemos pessoas próximas e temos a certeza que vivemos com elas o melhor que podíamos ter vivido, o enfrentamento do processo do luto se torna mais suave e menos sofrido, pelo sentimento de que fizemos o nosso melhor.

Como sempre, diante de qualquer situação, até mesmo diante da perda de pessoas que amamos, o que fará a diferença é a certeza de que fizemos o nosso melhor.

Gilson Tavares
 

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