domingo, 30 de junho de 2013

DE QUE MUDANÇA ESTAMOS FALANDO?

Segundo Maslow, psicólogo americano do início do século 20, as razões que influenciam o comportamento humano estão relacionadas as suas próprias necessidades. E os motivos que levam as pessoas a agirem estão dentro delas mesmas.
A teoria das necessidades humanas, criada por Maslow, foi estabelecida através de uma hierarquia numa pirâmide. A base da pirâmide contêm as necessidades primárias (fisiológicas e de segurança) e no topo as necessidades secundárias (sociais, estima e auto-realização).
Para a sociologia, a primeira exigência da civilização é a da justiça, a necessidade de leis que possam garantir a igualdade de direitos para todos, e que essas leis não sejam violadas em favor de um indivíduo ou de um grupo.
O que está acontecendo com o povo brasileiro, que da passividade passou à, direta ou indiretamente, se manifestar em protestos de ruas, demonstrando sua insatisfação com a situação do País? Não somos a sexta economia mundial? Não temos acompanhado melhorias visíveis na renda e qualidade de vida de grande parte da população? Não temos sido considerados por povos de diversas nacionalidades como um País acolhedor e próspero? Então. O que está acontecendo para tanto descontentamento?
Olhando para a teoria das necessidades humanas, citada acima, vemos que temos motivos para nos sentirmos realizados em algumas das necessidades secundárias: como estima elevada e orgulho por pertencer à essa grande nação, principalmente no atua momento, quando sediamos um torneio internacional de futebol e nos preparamos para sediar a copa do mundo.
Mas, e as necessidades primárias como: saúde, educação, moradia, segurança, entre outras... como estão?
Voltando à sociologia – A condição social do ser humano necessita da formulação de princípios e padrões de conduta como elementos norteadores da convivência social, pautados em valores éticos que sustentem as relações sociais, com atitudes de respeito, de solidariedade, de tolerância, de justiça e de igualdade.
Como fator agravante desse contexto, vemos constituído, se não oficialmente mas culturalmente, a corrupção e falta de ética daqueles que foram escolhidos pelo próprio povo para representá-lo, principalmente na busca de formas de suprir as necessidades do povo e no cumprimento e exigência de cumprimento das Leis que regem esse povo, no sentido de promover a igualdade e coibir o uso da Lei em favor de um indivíduo ou de um grupo.

Para Durkheim, um dos maiores pensadores da sociologia, o homem é humano porque vive em sociedade e, para adquirir essa humanidade, é indispensável superar-se, dominar as próprias paixões, considerar outros interesses que não os próprios.

A substituição do poder do indivíduo pelo poder de uma comunidade constitui um passo decisivo da civilização. Sua essência reside no fato de os membros da comunidade se restringirem em suas possibilidades, permitindo e esperando que as instituições criadas por essa comunidade sejam capazes de conter aqueles que desrespeitam as Leis estabelecidas e que sejam capazes de instaurar a justiça. Quando isso não acontece, estabelece-se a impunidade, levando a comunidade à um sentimento de desesperança, impotência e indignação.

Como nenhuma situação dura para sempre, chega um momento em que uma pequena faísca pode ser suficiente para fazer estourar todo o barril de descontentamento e insatisfação, levando essa comunidade a reagir.

Segundo Sigmund Freud, no texto Psicologia das massas e análise do eu, quando em grupo, o indivíduo abandona o seu ideal de ego, passando a agir de acordo com a mente grupal, pautando as suas ações em concordância com o pensamento do grupo, mesmo que em detrimento de seus próprios interesses, podendo chegar até mesmo a assumir comportamentos violentos.

Para Claudio Oliveira, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF), em situações de massas, os indivíduos acabam por tomar atitudes que não teriam se estivessem sozinhos ou em pequenos grupos. E, segundo ele, questões sociais podem fazer com que determinadas pessoas acabem por encontrar nas atitudes violentas um recurso para expressar sua insatisfação.

Percebemos então que o principal grito das ruas é o grito da cidadania – o que merece uma pequena reflexão: o que é ter cidadania?

Ser cidadão é ter direitos: direito á vida, á igualdade, à propriedade, como também direitos políticos e direito de participar dos destinos da sociedade.
Mas ser cidadão é também ter deveres. E, se pedimos mudanças, estamos também nós dispostos a mudarmos?

Segundo Leonardo Boff, uma ética não emerge se não houver previamente um ambiente que permita a sua formulação. Afinal, o político sai do povo e, para esse político ter ética nas suas ações, é necessário que esse povo também tenha essa ética.

Portanto, percebemos que não haverá ética na política, se todos e cada um não cuidarem para que isso aconteça; se cada um não expressar essa ética também nas suas ações do dia-a-dia.

Se estamos cansados de sermos o País da impunidade, da corrupção e do jeitinho brasileiro, precisamos começar essa mudança em nós mesmos, fazendo a diferença com as nossas ações.

E você, como tem sido ou como pretende ser um agente de mudanças?
 

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