sábado, 28 de março de 2015

O OLHAR

 
O olhar – algo aparentemente tão simples e tão desmerecedor de um OLHAR mais profundo sobre si mesmo. Mas, ao mesmo tempo, esse olhar pode mudar todo um contexto, toda uma história, toda uma vida.
É o olhar, ou melhor, a formar de olhar para uma situação, para o mundo ao redor e para si mesmo, que determina a forma como vamos atuar nessa situação e no mundo ao nosso redor.
Essa constatação, tão simples aparentemente, faz uma enorme diferença, quando paramos para analisar as nossas atitudes, e a forma como temos lidado com nós mesmos e com as pessoas do nosso convívio. É a interpretação que damos as situações o que nos leva a agir e a dar respostas a essa situação, o que, não poucas vezes, essa interpretação fica bem distante da verdadeira realidade.
Não é tão raro, e não sei se alguém consegue passar pela vida sem que isso lhe tenha acontecido pelo menos algumas vezes, que as respostas e a forma como atuamos nas situações e provocações que a vida coloca no nosso caminho, quando temos a coragem de avaliarmos os resultados obtidos com as nossas atuações, percebemos que não precisávamos realmente termos agido como agimos ou, no mínimo, que a resposta foi desproporcional ao que a situação merecia.
Voltamos ao olhar, e a importância de aprendermos a conhecer mais sobre o nosso olhar. Sim, ao nosso olhar. Porque é ele que faz toda a diferença nas nossas atitudes. É a interpretação que damos ao nosso olhar que determina de forma quase que automática, as nossas atitudes, e nem sei se esse “quase” realmente existe, Daí, a grande importância de conhecermos mais profundamente o nosso olhar, ou a forma de como interpretamos o nosso olhar.  A isso, podemos chamar de caminho do autoconhecimento.
Somente quando temos a coragem de analisarmos as respostas que temos obtido da vida é que podemos saber mais sobre nós mesmos, sobre os nossos sentimentos e emoções, e sobre as atitudes que produziram os tais resultados. Equação necessária - se queremos produzir resultados que sejam mais satisfatórios e que estejam de acordo com o que desejamos para a nossa vida.
Da mesma forma, precisamos ter cuidado quando olhamos para o outro, e queremos saber desse outro. Ora, só quem pode saber desse outro, é ele mesmo. No máximo, o que temos, é o nosso olhar sobre esse outro. O nosso olhar, e, se é o nosso olhar, logo, a interpretação desse olhar também é nossa. Ninguém pode sentir o sentimento do outro; ninguém pode sentir a dor do outro; ninguém pode saber a verdade do outro. Só ele mesmo pode saber a sua verdade.
Cada ser é único – único na sua história de vida, único nas suas experiências vividas, único nas suas expectativas e sonhos. E é por isso que precisamos ter cuidado para não querermos impor ao outro o nosso olhar sobre a vida que é dele, e não nossa.
Nos constituímos um “SER” na relação com o outro, como já dizia Vygotsky, grande pensador russo do início do século passado. Podemos assim pensar que também o outro se constitui um “SER” na relação com o seu outro, que sou “EU”. No que podemos também perceber que o olhar que temos sobre nós mesmos e sobre esse outro é de relevante importância para a construção de uma relação saudável e harmoniosa. Principalmente, a interpretação que temos desse olhar.
Portanto, vamos buscar formas de aprender mais sobre o nosso olhar, sobre nós mesmos e sobre o outro.
Um abraço e até a próxima publicação.
Gilson Tavares
Psicanalista Organizacional



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