quinta-feira, 4 de junho de 2015

O AMOR NA CIÊNCIA E A CIÊNCIA DO AMOR!

 
Estamos nas vésperas de “12 de junho”, dia comemorado pelos apaixonados do mundo todo como o “dia dos namorados”, dia de todos demonstrarem o quanto o seu parceiro ou parceira tem importância na sua vida.
O sentimento que une os casais é tão presente e comum na vida das pessoas que poucas vezes nos perguntamos o porquê da sua existência; qual a importância desse sentimento para a vida das pessoas; qual a razão da sua existência e a sua importância para a sobrevivência da espécie humana; qual a ciência por traz desse sentimento que chamamos de AMOR!
De acordo com a biologia evolutiva, o vínculo criado por casais apaixonados garante a segurança da espécie. Focado na sua família, o homem gasta energia em mantê-la bem provida, oferecendo todas as oportunidades para que seus filhos cresçam e perpetuem sua carga genética. Para unir o casal, o cérebro se inunda de amor, ou seja, há um aumento na liberação dos hormônios dopamina e norepinefrina, liberados pela ocitocina, neurotransmissor que atua no sistema de recompensa do corpo humano e induz sensações de prazer - são eles que causam todas as sensações típicas da paixão, como insônia, frio na barriga e pensamento obsessivo na pessoa amada.
Passado o rompante da paixão, outro hormônio entra em ação: a oxitocina. É ela que faz com que os casais criem vínculos, evoluam para o sentimento de amor romântico, e continuem juntos por anos a fio. É a oxitocina que nos faz focar a atenção no parceiro. "O amor é esse emaranhado de complexas reações químicas no cérebro", diz o psiquiatra Larry Young, coautor do livro A Química entre Nós. E é nosso organismo ainda quem ajuda a escolher por quem nos apaixonamos: enquanto os homens tendem a procurar mulheres com o quadril largo (característica vinculada à progesterona, que sinaliza uma boa fertilidade), as mulheres procuram um homem que transpire sucesso e segurança. Os dois caçam ainda alguém com um sistema imunológico diferente do seu - a variabilidade garante o sucesso da espécie e evita anomalias do cruzamento entre parentes. Palavras do psiquiatra Larry Young.
Mas, por mais que você saiba que o hormônio dopamina que corre no seu corpo é o que te faz sentir frio na barriga, você ainda vai sentir o coração pular no peito; curtir o primeiro beijo; curtir a presença da pessoa amada; sentir a sua falta quando está longe e todas essas coisas que não adianta a ciência explicar, afinal, somos seres emocionas, e, além da fisiologia que tem a sua importância também para o surgimento dos sentimentos, são as emoções que regem a nossa vida, e elas, as emoções, a ciência ainda não consegue explicar de forma completa.
Para o psiquiatra Wimer Bottura, autor do artigo “Amar nos torna mais felizes”, publicado no jornal O POVO online, o amor de verdade, no entanto, é um pouco mais complexo do que uma pilha de fórmulas e equações. São os relacionamentos entre os amantes os responsáveis por determinar se aquela paixão é mais do que fogo de palha e se ela é realmente capaz de trazer a tal da felicidade duradoura a alguém. A pessoa já tem as suas necessidades supridas e busca algo que a complemente, uma expansão, ao invés de apenas preencher uma carência. O amor é o encontro consigo mesmo através do outro, diz o psiquiatra. E, segundo ele, é esse encontro entre os apaixonados uma das principais fontes de felicidade humana. Amar ao outro é amar a si mesmo. Sair de si, projetando-se para fora do ‘eu centralizador’, tem efeito de retorno sobre si mesmo. “Somente nos realizamos ao sairmos de si, ao abrirmos as portas em direção ao outro”.
Maria de Lourdes Borges, autora do livro Os Caminhos Filosóficos do Amor explica três tipos de amor, academicamente obedecendo a uma denominação grega: Eros, Philia e Caritas. O amor Eros é, o mais cantado em prosa e verso, o de maior sucesso na literatura, no teatro, cinema e nas artes em geral; O chamado amor tipo Philia, é mais próximo daquele definido por Aristóteles, percebido como o desejo de partilhar a companhia do outro, querer o bem do outro; O amor tipo Caritas, também condicionado ao bem do outro.
Deixando a ciência e a filosofia de lado, sabemos que para amar alguém não precisamos realmente saber de todas essas coisas, basta apenas saber que amar é querer sempre o bem para a pessoa amada; é aceitar que todos temos um passado e que ele serviu para construir a pessoa que somos hoje; é saber construir o presente junto com a pessoa amada e contribuir para a construção de um futuro juntos, contribuindo também para o seu desenvolvimento e crescimento pessoal.
Feliz dia dos namorados!
Um abraço e até a próxima publicação.
Gilson Tavares
Psicanalista Clínico e Especialista em Gestão de Pessoas
 


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