Os malefícios das fake News e quem se beneficia delas

 

Em outra crônica, falamos sobre a influência das nossas crenças, ou seja, daquilo que acreditamos ser a verdade, na nossa percepção da realidade e do mundo ao nosso redor.

E vimos como as nossas crenças podem ser um terreno fértil para a divulgação e para a disseminação de fatos falsos, as famosas fake News, que são responsáveis pela destruição de reputações, pela ocultação da verdadeira realidade e pela criação de cenários irreais, mas que são aceitos como verdadeiros, sem que para isso, seja exercido nenhum tipo de senso crítico ou de pensamento racional.

Em relação às fake News, você acredita naquilo não porque faz sentido,

Você acredita naquilo porque é o que você gostaria que fosse verdade.

A ideia de criar uma notícia falsa é basicamente deslegitimar um opositor ou legitimar o próprio discurso.

O termo fake News é novo para os nossos ouvidos, mas o seu conceito e a sua utilização, acompanha a história humana, desde que é possível registrar os fatos que construíram o mundo como conhecemos hoje.

E muitas dessas fake News causaram grandes desastres para o mundo, como também foram causadoras de milhões de mortes ao redor do mundo e ao longo da história.

Em vários momentos da história, em várias civilizações, em várias sociedades vamos encontrar esse jogo de construção de realidades, de construção de discursos que vão ser legitimados hora com uma visão deturpada da realidade, hora com uma mentira escancarada”

Ao longo da história, desde o início dos séculos, várias realidades e discursos foram sendo construídos por pessoas ou instituições que ocupavam o poder, para assim mantê-lo ou então para controlar a população através da manipulação de ideias e pensamentos.

Os exemplos ao longo da história são impossíveis de serem relacionados, por serem inúmeros.

Como por exemplo – A Caça às bruxas na idade média, com a Inquisição Francesa, na Idade Média, que combatia a heresia e que utilizava de falsas histórias como respaldo para conseguir a condenação dos acusados.

O Massacre de Judeus pelo nazismo – Com a Disseminação de que os judeus conspiravam para conquista o mundo e de que toda a miséria que a Alemanha da época vivia era causada pela presença dos judeus no pais.

Também na Idade Média, quando a peste negra surgiu, matando até um em cada três europeus,. Pandemia que dizimou um terço da população europeia, os judeus  foram apontados como sendo os culpados pela doença.

Eles eram acusados de sacrificar crianças em rituais e depois disso, começou a rolar a fake news pelo boca a boca de que eles envenenavam poços para disseminar a peste e que eram protegidos por Satã.

Isso causou uma histeria coletiva e estima-se que centenas de comunidades judaicas foram dizimadas pelo suposto crime.

No passado nem tão distante,

As Armas de destruição em massa do Iraque, que nunca foram encontradas, foram a justificativa para a invasão e devastação do Iraque pelos Estados Unidos.

E o dia que fomos invadidos pelos alienígenas?

Aconteceu em 1938, nos Estados Unidos, Na véspera do Halloween de 1938, rádios americanas anunciaram um ataque alienígena à Terra.

A programação normal das rádios foi interrompida e dizia que uma série de explosões estavam acontecendo em Marte e que um grande meteoro havia atingido Nova Jersey, matando 15 mil pessoas.

Depois, que o meteoro era na verdade uma nave, da qual marcianos estavam saindo com armas de lazer para invadir o planeta.

Reportagens externas, entrevistas com pessoas que estariam vivenciando o acontecimento, opiniões de peritos e autoridades, efeitos sonoros, gritos.

A população entrou em pânico, houve milhares de ligações aos serviços de emergência, pessoas passaram mal e até se candidatando para entrar nesta guerra. As estradas próximas a Nova Jersey ficaram congestionadas com pessoas tentando fugir.

A verdade, porém, é que não passava de uma rádionovela, dramatizando  parte do livro Guerra dos Mundos, de Herbert Wells, onde uma invasão marciana acontece no planeta.

Cerca de seis milhões de pessoas acompanharam a programação, e boa parte delas perdeu a explicação do que se tratava – que foi no início do programa e que teve como objetivo a divulgação do livro.

Por isso acreditaram tratar-se de fato verdadeiro.

Esse fato mostra claramente o poder de uma fake News, e a necessidade de se conferir a sua veracidade, antes da formação de qualquer juízo de valor e de qualquer atitude em relação a informação recebida.

Olhando para o nosso Brasil, o uso de fake News também esteve presente em vários momentos da nossa história.

No passado nem tão distante. As notícias falsas foram úteis a muitos regimes autoritários brasileiros.

A ameaça comunista no governo Vargas por exemplo.

Em 1937 começou a ser divulgado uma teoria da conspiração, que alegava existir um plano de dominação comunista em território nacional.

Getúlio Vargas usou isto como respaldo para decretar Estado de Guerra e começar uma perseguição a opositores políticos.

No mesmo ano, ele implantou o Estado Novo e deu início à Era Vargas, que só se encerraria em 1945.

Ainda em 1930, o mesmo Vargas e seus aliados começaram a espalhar noticias falsas de que João Pessoa, na época governador da paraíba, teria sido assassinado a mando dos paulistas.

Esse discurso golpista, somado à suposta mas não comprovada corrupção das urnas, criou a justificativa perfeita para o golpe de Vargas em 1930, que tomou o poder e transformou-se em presidente do Brasil.

No passado bem mais recente.

Campanha de fake News elegeu Trump nos Estados Unidos , e,  segundo especialistas, durante o seu mandado, foi o presidente que mais produziu mentiras em um mandato de presidente, milhares ou milhões delas.

Voltando novamente para o nosso Brasil.

Não é novidade nem segredo para ninguém, que as eleições de 2018 tiveram grande influência das fake News para o seu resultado.

E hoje, com tantos problemas enfrentados pelo Brasil, em diversos setores,  ainda temos que enfrentar uma pandemia que mata milhares por dia, e enfrentar outra pandemia não menos mortal, a pandemia das fake News,

Com Campanhas antivacinação

Com disseminação de prevenções ineficazes

Com disseminação de tratamentos ineficazes

Com a sabotagem das medidas de prevenção comprovadamente eficazes.

Diante desse cenário, fica a pergunta.

A quem interessa a produção e a disseminação de fake News?

Como lidar com a pandemia das fakes News e da desinformação?

Como cada um pode fazer a sua parte, para que as correntes de desinformação sejam rompidas?

Não é uma luta fácil, mas é possível e necessário.

Começando pelo papel de cada um, que pode fazer a diferença, escolhendo ser usado como um multiplicador de fake News, ou escolhendo ser um agente de combate à disseminação de fake News, aprendendo a usar filtros nos conteúdos que consome e que compartilha, nas redes sociais ou em qualquer outro meio.

 

Gilson Tavares

Psicanalista Clínico e Organizacional

Até a próxima publicação.

 

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