A Influência das crenças na percepção e na interpretação do mundo e da realidade

 

Você sabia que as crenças de uma pessoa, aquilo em que uma pessoa acredita, que seja no âmbito religioso, que seja no âmbito das ideologias, que seja no âmbito da cultura, que seja no âmbito do estilo de vida, tem grande influência na forma como essa pessoa enxerga e interpreta o mundo ao seu redor, na forma como essa pessoa se enxerga no mundo, a forma como essa pessoa enxerga e interpreta a realidade?

Você sabia que a forma como uma pessoa enxerga e a forma como uma pessoa interpreta o mundo e a realidade tem total influência na forma como essa pessoa age e na forma como essa pessoa reage no mundo? Que a forma como uma pessoa enxerga e a forma como uma pessoa interpreta o mundo e a realidade tem total influência na forma como essa pessoa enfrenta as situações surgidas no seu caminho?

Essas são algumas perguntas simples, mas que as respostas nem sempre são tão simples assim. Porém, essa constatação demonstra a importância da busca da compreensão das razões para determinados comportamentos comprovados em indivíduos e em alguns grupos de pessoas

Facilmente encontramos pessoas e grupos de pessoas que têm grande facilidade e até grande inclinação em acreditar nas estórias e nos discursos mais mirabolantes, que beiram o universo das realidades paralelas, grande facilidade para acreditar em estórias e discursos totalmente  desconexos com a realidade comprovada.

Encontramos pessoas e grupos de pessoas, que, mesmo diante de fatos que comprovam, de forma inquestionável, a não veracidade daquilo em que elas acreditam, e mesmo assim, elas não conseguem se libertar das suas crenças imaginárias.

É um desafio para as ciências comportamentais, tentar compreender, porque as pessoas acreditam no que acreditam, mesmo diante de comprovações da inveracidade daquilo em que elas acreditam.

Talvez, um caminho para essa comprovação, passe pela observação do que falamos logo no início, quando dissemos que as pessoas têm a sua percepção de mundo e de realidade, a sua interpretação de mundo e de realidade, de acordo com as crenças que as pessoas já têm enraizadas na sua essência.

Antigos filósofos já diziam que, enxergamos o mundo e a realidade muito mais de acordo com a forma que nós somos, do que de acordo com a forma que o mundo e a realidade realmente é.

Esse pensamento pode trazer alguma luz para essa discussão. Analisando essa constatação, podemos então pensar que, as pessoas acreditam no que acreditam, porque aquilo que elas acreditam está alinhado com a forma que elas enxergam o mundo, porque aquilo que elas acreditam está alinhado com a forma como elas enxergam o mundo e a realidade.

Por está alinhado com a forma como essas pessoas enxergam o mundo e a realidade, está também alinhado com a forma como essas pessoas pensam e agem no mundo.

E sendo assim, podemos supor que as pessoas agem não de acordo com a realidade, não de acordo com a forma como o mundo ao seu redor se apresenta, não de acordo com a forma como o mundo espera que elas ajam, e sim, as pessoas agem de acordo com as suas crenças, as pessoas agem de acordo com aquilo que elas acreditam, não importando se aquilo que elas acreditam seja algo verdadeiro ou não, não importando se aquilo que elas acreditam seja correto ou não, não importando se aquilo que elas acreditam seja legal ou não, não importando se aquilo que elas acreditam seja ético ou não.

As crenças, no sentido da palavra, é algo que está entranhado na essência do ser. Não se pode implantar em alguém o seu sentido de crenças. Só se pode alimentar ou não o seu sentido de crenças. Só se pode permitir ou não a externalização do seu sentido de crenças. Só se pode permitir ou não que o seu sentido de crenças interfira no ambiente.  

Isso torna a questão da crença algo mais sério do que podemos supor. Por que? Porque as crenças, no sentido da palavra, não tem relação direta com nenhuma religião ou crença religiosa, não tem nenhuma relação direta com a cultura ou com os conhecimentos construídos, não tem nenhuma relação direta com os conhecimentos acadêmicos, não tem nenhuma relação direta com a situação social, não tem nenhuma relação com idade, cor, gênero ou raça.

Dessa forma, talvez, uma das poucas coisas que a sociedade pode fazer na construção de pessoas mais saudáveis, no sentido de quais são as suas crenças e no sentido de como elas lidam com as suas crenças, seja a sociedade criar mecanismos que contribua para a construção de crenças positivas. Crenças que aceitem e respeitem valores como a igualdade entre as pessoas, crenças que aceitem e respeitem valores como a pluralidade de pensamentos e de opiniões, crenças que aceitem e respeitem valores como a pluralidade religiosa, crenças que aceitem e respeitem valores como a pluralidade política.

E certamente, só poderemos ter sucesso nessa luta quando toda a sociedade investir mais na educação formadora de pessoas pensantes, na formação de pessoas com senso analítico e com senso crítico, na formação de pessoas com senso ético, na formação de pessoas com senso de respeito mútuo, na formação de pessoas que tenham noção da sua importância na formação da sociedade.

Essa deveria ser uma missão de toda a sociedade, uma missão de todas as instituições que fazem a sociedade, uma missão de cada um que faz a sociedade.

Uma missão minha, sua e de cada um, de acordo com a forma como cada um pode e deve contribuir para essa missão.

Gilson Tavares

Psicanalista Clínico e Organizacional

Administrador, Especialista em gestão de pessoas

 

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